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É mais do que uma prova de corrida “todo o terreno”. O “Trilhos Pina Manique” é um evento pensado para dinamizar a terra e feito para que os atletas se sintam bem nela, desde que chegam até que saem. Importa competir, mas também relaxar e conviver. Aqui, não é para chegar, correr no mato e regressar a casa. E se alguém o faz, não sabe o que perde.

O Trail Running esteve em Manique do Intendente no passado mês de abril. Chegou àquela vila, aliás, há um ano, quando um grupo de amigos se juntou para “fazer alguma coisa para a terra”. Em 2017, o I Trilhos Pina Manique contou com 650 inscrições, entre caminheiros e runners que puseram pernas ao caminho pelos percursos de 10, 13 e 23 quilómetros. Este ano, na segunda edição, os participantes foram perto de um milhar. Participantes? Perdão. Convidados. É assim que a organização do evento trata todos os que correram ou caminharam nos percursos secundários, desbravados para acolher esta atividade, na localidade do alto concelho de Azambuja.

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António Ferreira, Fernando Aires, Pedro Cruz, Jorge Carvalho, Pedro Gil e Pedro Guedes são o “núcleo duro” da organização da prova. Planeiam-na com meses de antecedência, ao mesmo tempo que a conjugam com as suas vidas profissionais. A eles juntam-se cerca de 130 amigos, vindos de todo o concelho, que ajudam na preparação e execução quando se aproxima o grande dia. São todos voluntários; a única beneficiada é a vila. A intenção é trabalhar em prol dela, trazer-lhe mais visitantes. Por isso, o evento integra o programa da Festa das Tasquinhas de Manique do Intendente, realizada anualmente em abril. António garante-nos que todos lucram: “quem vem, tem a festa, e a festa vende mais com as pessoas que vêm [à prova]”.

Associam-se ao Dojo Amicale Karaté e ao Rancho Folclórico e Etnográfico locais também como forma de retribuição. “Os nossos filhos estão no karaté e é nas instalações do rancho que praticam. Nós, numa forma de contribuirmos pela utilização das infraestruturas, ajudamo-los com uma parte monetária através deste evento”.

E não se ficam por aí. Este grupo de amigos de infância, que o projeto “Trilhos Pina Manique” reaproximou, tem a ambição de marcar e oficializar um percurso pedestre na freguesia. Depois de catalogado numa lista dos percursos pedestres nacionais, ficará acessível para consulta através da internet e para quem o quiser percorrer. “Qualquer pessoa pode procurar, ver qual a zona do país que não conhece e dirigir-se ao local”. Para cortar esta meta é preciso dinheiro e com essa necessidade soma-se mais um motivo para a criação da prova de Trail Running.

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Esta está dividida em dois percursos, de 23 e 13 quilómetros, e uma caminhada, sem intuito competitivo, de 10. Os trilhos são desafiantes. Apresentam várias subidas exigentes e descidas escorregadias, o que se traduz numa prova dinâmica, onde os atletas podem fazer uso das suas capacidades técnicas. A acompanhar ambas as distâncias estão as paisagens ribatejanas e os pontos de abastecimento que dão a conhecer os produtos do concelho.

O II Trilhos Pina Manique, que aconteceu na manhã de 22 de abril, reuniu, no total, 950 inscritos. Vieram de norte a sul do país, desde Bragança até Vila Real de Santo António.
No final da competição todos têm direito à mesma recompensa: serve-se feijoada e convive-se à volta da mesa. Aproveita-se o resto do dia junto dos amigos e das famílias. “Tentamos criar um ambiente familiar, é onde as equipas fazem a festa deles (…) a nossa vida é tão ocupada que não temos tempo para estar com os nossos”. Para a organização, receber bem os visitantes é imperativo. E cumprem-no.

Depois de meses de trabalho e de um dia de festa, o balanço que fazem é positivo. Comprovam-no as mensagens que têm recebido e os testemunhos in loco, que receberam no dia do evento. Consideram que vão haver sempre aspetos para melhorar e despedem-se com a promessa de trabalhar neles, para que, em 2019, a festa seja ainda melhor.

Texto: Teresa Henriques
Fotos: Trilhos Pina Manique/Rita Afonso/Artur Moreira Photography