A falta de médicos de família no concelho de Azambuja é um dos temas que tem vindo a preocupar autarcas e a população. Armando Martins e Vânia Assucena são dois munícipes do concelho que têm sido uma voz contra o problema.
Vânia Assucena, residente em Aveiras de Cima, lançou, em setembro, uma petição com o objetivo de levar o assunto à Assembleia da República. Felizmente, o objetivo foi cumprido e, no passado dia 18 de novembro, o grupo, composto por Vânia e mais dois peticionários, Selma Rodrigues e Joaquim Lavado, juntamente com a vereadora com o pelouro da Saúde, Ana Coelho, foi ouvido na Assembleia da República.
Nesta reunião, adiantou Vânia Assucena ao Correio de Azambuja, ficou a promessa de uma reunião com a Ministra da Saúde, Marta Temido, a qual ainda deverá acontecer antes do final do ano. Neste encontro, o grupo quer pedir não só mais profissionais para o concelho, mas também a criação de medidas que obriguem os profissionais a ficarem a trabalhar no setor público.
Recorde-se que a falta de médicos no concelho acaba por trazer outros problemas, tais como a demora na
emissão de receitas médicas, o que já tem obrigado as farmácias a dispensar os medicamentos sem receita. Para além disso, lamenta, o único médico disponível no posto de Aveiras apenas vem uma vez por semana e é apenas para passar baixas ou receitas médicas, as quais os utentes chegam a estar cerca de dois meses à espera.
Vânia Assucena também é afectada pela falta de médicos, tal como a grande maioria da população de Aveiras de Cima, e admite que quando precisa de alguma consulta tem de se deslocar até ao Centro de Saúde de Azambuja, sendo que, na maioria das vezes a alternativa é “recorrer ao Hospital de Vila Franca”, acrescentando que existem utentes que nem ao hospital conseguem ir porque não têm meio de transporte.
Outra das alternativas é o recurso aos médicos privados, no entanto, esta é uma solução que é não para todos, uma vez que “nem todos têm posses para pagar um médico particular”. Foi esta a motivação para o lançamento da petição, que reuniu 1008 assinaturas.
Contudo, e apesar de ter conseguido o número mínimo de assinaturas para ser ouvida na Assembleia da República, Vânia Assucena admite que chegou a andar de porta em porta a convencer a população a assinar a petição, que disponibilizou na sua loja mas também no portal Petição Pública.
Ao Correio de Azambuja, Vânia Assucena mostra-se expectante com a reunião que irá com a Ministra da Saúde, no entanto, e se Marta Temido não apresentar alguma solução para resolver o problema, o próximo passo poderá passar por uma manifestação em Lisboa. “Os governantes não passam aqui, não nos veem, por isso é que acho que a nossa luta deve ser em Lisboa, onde eles nos conseguem ver”, conta a peticionária ao nosso jornal.
Promessa de colocação de novos médicos até ao arranque do novo concurso
Já Armando Martins, de Azambuja, é outro dos cidadãos que está na linha da frente desta batalha. Este munícipe conseguiu, no passado dia 13 de novembro, reunir mais de 100 pessoas numa manifestação à porta do Centro de Saúde de Azambuja, assim como reunir mais de três mil assinaturas num abaixo assinado contra a falta de médicos e de condições neste espaço.
No passado dia 24 de novembro, Armando Martins, que lidera o Movimento Cívico pela Saúde em Azambuja, esteve reunido com representantes do Centro de Saúde e da Câmara Municipal de Azambuja. Nesta reunião, ficou a promessa de reforçar o número de médicos, através de empresas privadas, e o alargamento do horário de funcionamento do centro de saúde até às 22 horas. Para já, encontra-se a decorrer um concurso público para a contratação de médicos de família, mas não se sabe se estará algum médico destinado para Azambuja.
Ficou ainda agendada uma nova reunião com os responsáveis da ARSLVT para o próximo dia 2 de fevereiro de 2022.
