Bombeiros de Azambuja pedem ajuda ao Governo para novo veículo de desencarceramento

Os Bombeiros de Azambuja estão sem veículo de desencarceramento há cerca de dez anos, alertou esta segunda-feira o comandante daquela instituição, Ricardo Correia, que adianta ainda que o veículo que atualmente fazia essas funções “está avariado” desde o início de maio, ou seja, há dois meses.

Esta avaria, “é complexa e grave no sistema de injeção de combustível e dado a idade do veículo (27 anos), o fabricante não possuí peças, sendo necessário uma grande ginástica por parte do mecânico para o conseguir reparar”, prossegue Ricardo Correia numa carta enviada ao Governo e à comunicação social.

O comandante dos Bombeiros de Azambuja refere ainda que os equipamentos de desencarceramento têm de ser “transportados numa carrinha de caixa aberta como se de repente tivéssemos andado 50 anos para trás, a diferença é que a caixa aberta não é uma carroça e não é puxada por cavalos”, sendo a única forma de garantir o socorro a quem necessita.

Na mesma missiva, Ricardo Correia pede a intervenção do Estado nesta matéria, uma vez que Azambuja é um “pólo logístico importante, com empresas responsáveis por abastecer mais de seis milhões de portugueses, que armazenam e transportam de tudo o que possa existir num supermercado”, ao que acresce a “passagem da linha ferroviária do Norte com passageiros e mercadorias (algumas perigosas)”, e ainda a construção da “Green Logistics, da Aquila Capital”, que é “um armazém logístico de 115 mil metros quadrados”.

No entender do comandante dos Bombeiros de Azambuja, a presença destes armazéns em Azambuja aumenta o risco de existir acidentes rodoviários, “envolvendo pesados de mercadorias e encarcerados”, sendo que “um veículo de caixa a aberta não garante nem a eficácia, nem o acondicionamento do material” e principalmente a segurança dos operacionais dos Bombeiros, alerta Ricardo Correia, acrescentando ainda que a missão dos Bombeiros “é de interesse público”, pelo que, a ser ver, não lhe “parece adequado que tenhamos que andar a mendigar esmolas para o fazer”.

Para além da falta de meios de desencarceramento, Ricardo Correia fala ainda em todas as dificuldades sentidas pelos bombeiros, sobretudo o aumento do custo do combustível, em cerca de 53% em relação a Maio de 2020. O comandante dos Bombeiros de Azambuja relembra que “não houve aumento nem da receita nem tão pouco das transferências do Estado que faça equivaler a estes aumentos”, a que acrescenta “o aumento dos salários, e a inflação nos produtos diversos da nossa atividade”, o que impede que a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Azambuja não consiga fazer “um investimento com recurso a financiamento bancário superior a 300 mil euros apenas e só com os seus próprios fundos”, para conseguir colmatar a falta de meios.

No final da missiva, Ricardo Correia explica que o socorro poderá falhar em breve, e relembra que, na qualidade de Comandante dos Bombeiros de Azambuja, é “responsável pela vida humana de todos os operacionais desta unidade, mas também de todos os que circulam nestas estradas, que desenvolvem a sua atividade industrial e que se devem sentir ameaçados por esta lacuna importante”.

Ainda na opinião do comandante, “a grande maioria (se não a totalidade) de veículos novos que chegam aos Corpos de Bombeiros não são com dinheiro do orçamento de Estado”, mas sim dos fundos comunitários, havendo ainda “muita responsabilidade dos municípios se alguma da frota foi renovada nos últimos anos, os únicos verdadeiramente parceiros desta instituição”, e recorda que “desde a extinção do SNB que os Corpos de Bombeiros deixaram de ter um programa de reequipamentos”, o que têm vindo a prejudicar a operação dos soldados da paz.