António José Matos, vice-presidente da câmara municipal de Azambuja, expressou profunda indignação perante a indiferença e negligência que resultaram na morte de vários animais durante uma situação de inundação em Azambuja. Destacou a gravidade da desumanização, relatou um incidente grave com a veterinária municipal, propôs alterações regulamentares e reconheceu casos de socorro animal eficaz. O discurso foi marcado por forte carga emocional e apelo à responsabilidade coletiva.
Indignação Perante a Indiferença e a Morte de Animais
António José Matos iniciou a sua intervenção sublinhando que, embora o tema não estivesse diretamente relacionado com o município, sentia-se obrigado a manifestar publicamente o seu desagrado:
“Estou indignado perante a indiferença, a indiferença perante a morte.”
O vice-presidente lamentou a tendência crescente para a desumanização:
“Por vezes tento humanizar os animais, mas pior que isso, agora a desumanização das pessoas, isso é realmente grave.”
Descrição da Tragédia Animal e Crítica à Negligência
Matos descreveu com detalhe a situação dramática vivida pelos animais durante as inundações:
“Coelhos dentro de coelheiras que morreram afogados, galinhas dentro de capoeiras que morreram afogadas, cães amarrados com uma trela e uma corrente.”
Questionou, indignado:
“Como foi possível uma situação destas?”
E lamentou a falta de pedido de auxílio:
“Não nos pediram ajuda, não se soube pois.”
Sublinhou que esta tragédia deve servir de reflexão para o futuro:
“Esta é uma situação que nos deve fazer refletir e tentar perceber, como vamos atuar naquelas situações no futuro.”
3. Incidente com a Veterinária Municipal e Crítica Social
O vice-presidente relatou um episódio grave envolvendo a veterinária municipal, que foi alvo de pressão política:
“Quando lá esteve a tentar perceber como tinha acontecido aquilo, ainda houve alguém que lhe disse: “então assim não vai ter o meu voto. E ela disse que nem vai a votos, é apenas funcionária do município.”
Matos criticou veementemente esta atitude:
“Mal vai o mundo, mal vai a Sociedade quando o voto for trocado pela indecência e pela indiferença perante a morte.”
E reforçou a sua posição ética:
“Eu não estou aqui para trocar votos por indecências nenhumas. Acho que temos de fazer o que tiver de ser feito.”
4. Propostas de Reformulação Regulamentar e Prevenção
Aproveitando o momento, o autarca defendeu a necessidade de repensar as regras e infraestruturas das hortas comunitárias municipais:
“Tem de ter infraestruturas até 10 m², podemos ter que repensar o regulamento.”
Alertou ainda para a importância de rever a limpeza dos ribeiros para evitar futuras inundações:
“Temos de olhar para aquela limpeza do ribeiro de outra forma, porque isso também faz com que outras inundações possam acontecer.”
5. Casos de Socorro Animal Eficaz
O autarca destacou exemplos positivos de resposta municipal, nomeadamente o apoio prestado ao engenheiro Jorge Carvalho:
“O engenheiro Jorge Carvalho, através da sua filha, pediu-nos apoio para retirar animais, nomeadamente touros bravos, dos seus terrenos.”
Explicou que, apesar das dificuldades, “conseguimos retirar alguns para o engenheiro Rui Gonçalves”,
e garantiu que “foram devidamente alimentados pelos serviços e por quem de direito.”
6. Reconhecimento de Responsabilidades e Apelo à comunidade
Matos reconheceu que houve alguma conivência do município na gestão das hortas:
“Aquelas hortas passaram a ser com alguma conivência nossa, já sabe. Não me excluo disso.”
E concluiu com um apelo à responsabilização:
“A culpa não pode morrer solteira, tem que haver responsabilidade sobre esta matéria.”
Classificou toda a situação como uma “vergonha” e “inadmissível”, apelando a medidas concretas para evitar a repetição de tragédias semelhantes.
