Público leva queixas sobre estacionamento, escolas e pavilhão à Câmara de Azambuja.

Reunião ficou marcada pelas intervenções dos munícipes, por explicações do executivo sobre o CEJA e pela visita dos alunos do 4.º ano de Alcoentre

A reunião ordinária da Câmara Municipal de Azambuja de 14 de abril de 2026, começou com um período de forte participação pública, em que foram levantadas questões ligadas ao estacionamento abusivo, à segurança rodoviária, à situação do pavilhão municipal, à agricultura, à habitação e ao papel do CEJA, terminando esta primeira parte com a receção aos alunos do 4.º ano da Escola Básica de Alcoentre.

Na abertura da sessão, o presidente da Câmara cumprimentou vereadores, público presente e quem acompanhava a reunião através das redes sociais, lembrando que, como é hábito, o período inicial era reservado às intervenções do público. Foi neste contexto que o munícipe António Pires usou da palavra, para agradecer a entrega de documentação anteriormente pedida e também a colocação de um espelho numa travessa, que considerou “uma mais-valia” para quem ali sai com viatura. Ainda assim, o mesmo munícipe defendeu que o espelho poderia ser ligeiramente rodado para melhorar a visibilidade, permitindo ver melhor quem circula no passeio do lado esquerdo, incluindo peões. Aproveitou também para recordar que continuam por arranjar umas escadas danificadas e chamou a atenção para o que classificou como estacionamento “deveras abusivo” na zona nascente de Azambuja, com carros em cima dos passeios e a tapar a visibilidade em cruzamentos e entroncamentos. Perante estas queixas, o presidente respondeu que a vereadora competente tomara nota das situações e adiantou que o município iria pedir “uma fiscalização mais efetiva à GNR”, sobretudo em relação a carros mal estacionados e em cima dos passeios. Seguiu-se uma intervenção longa do munícipe José Brás, centrada em questões de educação, cultura, emprego, agricultura e habitação. Num discurso muito crítico, questionou “para que serve” a escola, defendendo que o ensino deveria preparar mais os jovens para profissões concretas e menos para o que classificou como simples “entretenimento”. Na sua intervenção, afirmou ainda que “as escolas em Azambuja (…) têm muito a desejar” e insistiu na necessidade de valorizar profissões como pedreiro, carpinteiro, canalizador, padeiro ou trabalhador agrícola. Brás aproveitou também para insistir na dificuldade de fixar trabalhadores agrícolas no concelho, relacionando esse problema com o preço das rendas e com a falta de habitação acessível. Segundo afirmou, “os trabalhadores da agricultura não conseguem pagar casas de 600 euros”, o que acaba por agravar o abandono de culturas e a pobreza dos campos. No final da sua intervenção, deixou ainda um alerta para uma grelha junto ao Ribeiro e para a situação da ponte romana, considerando que a solução ali existente não permite o escoamento adequado da areia e do lixo. O presidente da Câmara interrompeu-o para pedir maior objetividade, sublinhando que a sessão de Câmara não era o espaço para um discurso desligado dos assuntos municipais. Ainda assim, da intervenção resultou uma explicação do vice-presidente sobre o CEJA, após o presidente considerar que essa era a única questão objetiva ali levantada. Na resposta, o vice-presidente explicou que “nem tudo na vida tem de ser para aprender profissões” e enquadrou o CEJA como um espaço de ocupação saudável dos tempos livres, segurança e sociabilização para crianças e jovens . Segundo referiu, o equipamento proporciona acesso à “internet”, atividades de informática, ações de literacia financeira, apoio ao percurso escolar e contacto entre os jovens, evitando o isolamento individual que hoje afeta muitos deles. “Este é o foco que nós temos no CEJA para as crianças e jovens”, resumiu.

Outro dos momentos relevantes desta primeira parte da reunião surgiu com uma intervenção sobre o estado do pavilhão municipal . O interveniente, que disse ter por base um vídeo recente divulgado por uma juventude partidária, sublinhou a importância daquele espaço para os alunos da escola secundária e para atividades desportivas e extracurriculares, alertando para “sérias preocupações” quanto à segurança, funcionalidade e dignidade do equipamento . Em resposta, o presidente reconheceu que o município está a estudar a requalificação do pavilhão há já algum tempo . Explicou que o executivo está a avaliar se deverá manter um piso idêntico ao atual ou optar por uma solução diferente, semelhante à usada noutros equipamentos, e acrescentou que o processo está dependente de cabimentação e de decisão técnica, em articulação com o vice-presidente, que tutela a área . A mensagem deixada foi a de que haverá intervenção, embora sem um calendário fechado anunciado nesta fase . Ainda antes da entrada dos alunos na sala, voltou a surgir o tema da ligação à A1 e da zona nascente de Vila Nova da Rainha . Pires questionou o executivo sobre a possibilidade de aproveitar a futura estrada paralela de apoio ao TGV, prevista para manutenção e assistência, como forma de criar sinergias com um eventual novo nó rodoviário e, dessa forma, contribuir para o desenvolvimento do concelho . O presidente remeteu, no entanto, a discussão aprofundada do tema para um ponto posterior da ordem de trabalhos, por se tratar de uma proposta que já constava da agenda da reunião. Um dos momentos mais simbólicos da sessão foi a receção aos alunos do 4.º ano do 1.º ciclo de Alcoentre, acompanhados pela professora Rita.

O presidente apresentou o executivo às crianças, explicou o papel dos eleitos e sublinhou que estavam ali para ouvir problemas e tentar ajudar a resolvê-los. Em nome da turma, os alunos Henrique e Simão apresentaram um conjunto de agradecimentos e propostas. Começaram por reconhecer melhorias já realizadas na escola, referindo o ar condicionado, o ginásio, o telheiro, o parque, o campo de futebol e a horta. Depois disso, elencaram novas necessidades: um corrimão para a escada exterior, uma cobertura à entrada para proteger da chuva e outras melhorias na escola e na localidade. A presença das crianças trouxe um tom mais leve à sessão, mas também um exemplo de participação cívica precoce, com os mais novos a levarem ao executivo preocupações concretas sobre a sua escola e a sua terra.